
Jornal O Cearense (1846-1861)
Fundado em Fortaleza no ano de 1846, o jornal “O Cearense” foi um dos mais importantes periódicos da história da imprensa cearense no século XIX, tornando-se uma relevante fonte de informações políticas, comerciais, sociais e administrativas da então Província do Ceará. Ao longo de décadas de circulação, o periódico registrou acontecimentos históricos, anúncios oficiais, debates públicos e aspectos do cotidiano da sociedade cearense, incluindo referências ao antigo Tauhá e à região dos Inhamuns, preservando importantes documentos históricos do período imperial brasileiro. Atualmente, suas edições representam valiosas fontes documentais para pesquisadores e estudiosos da história cearense, permitindo o acesso a registros originais publicados há mais de 160 anos, mantendo inclusive a grafia da época.
1863-03-20 - Mortalidade do Cólera na Província do Ceará
Periódico: Jornal O Cearense Período de Publicação: De 1846 a 1891 Local de Publicação: Fortaleza-CE Edição: Nº 1568 Data da Publicação: 20 de março de 1863 Página: 1 Local citado: Província do Ceará, incluindo Tauhá e Arneiroz Tipo de Publicação: Noticiário / Saúde Pública Tema: Mortalidade causada pelo cholera na Província do Ceará Fonte: Biblioteca Nacional - BN Digital Brasil
Transcrição Original: “NOTICIARIO. Fortaleza, 20 de março de 1863 Mortalidade do cholera na provincia. - Desde fins de março do anno passado que o cholera penetrou n'esta provincia, e apenas com alguma intermitencia, ainda continua em varios pontos. Até hoje 24 freguezias accommettidas a mortalidade tem sido a seguinte, segundo as informações particulares, e algumas (poucas) officiaes.
Nome das Freguezias - População - Mortalidade de cholera 1 Capital - 35,780 - 744 (2,08%) 2 Maranguape - 20,000 - 2850 (14,25%) 3 Aquiraz - 8,600 - 320 (3,72%) 4 Cascavel - 15,000 - 450 (3,00%) 5 Aracaty - 19,700 - 1000 (5,08%) 6 Russas - 19,200 - 510 (2,66%) 7 Pereiro - 9,010 - 4 (0,04%) 8 Icó - 11,450 - 700 (6,11%) 9 Lavras - 27,800 - 570 (2,05%) 10 Telha - 19,500 - 459 (2,35%) 11 Crato - 18,230 - 760 (4,17%) 12 Barbalha - 12,000 - 167 (1,39%) 13 Missão-Velha - 13,000 - 36 (0,28%) 14 Jardim - 25,640 - 550 (2,15%) 15 Milagres - 10,000 - 180 (1,80%) 16 Saboeiro - 5,510 - 64 (1,16%) 17 S. Matheos - 11,630 - 350 (3,01%) 18 Assaré - 8,800 - 284 (3,23%) 19 Tauhá - 14,000 - 216 (1,54%) 20 Arneiroz - 6,240 - 29 (0,46%) 21 Maria Pereira - 11,650 - 68 (0,58%) 22 Quixeramobim - 15,000 - 230 (1,53%) 23 Caxoeira - 9,000 - 103 (1,14%) 24 Baturité - 25,360 - 2000 (7,89%)
Total - 367,100 - 12,584 (3,43%)
Faltão 12 freguesias ao noroeste com 140 mil almas.”
Contextualização: Publicado em março de 1863, o noticiário apresenta um levantamento sobre os impactos da epidemia de cholera na Província do Ceará durante o século XIX. O documento registra dados populacionais e números de mortalidade em diversas freguesias cearenses, incluindo o antigo Tauhá, que aparece com população estimada em 14 mil habitantes e 216 mortes atribuídas à doença, representando aproximadamente 1,54% da população local. O texto demonstra a gravidade da epidemia no interior cearense e constitui importante fonte documental para estudos históricos, demográficos e sanitários relacionados aos Inhamuns e ao Ceará Imperial.
Fatos Históricos: ➤ Epidemia de cholera em Tauá: A epidemia de cholera vitimou 216 pessoas em Tauá no ano de 1862. Entre os mortos estavam os padres Frutuoso Ribeiro Dias e João Felipe Pereira, que faleceram enquanto auxiliavam os enfermos. As vítimas foram sepultadas em uma vala comum na região onde hoje está localizado o Bairro Alto Nelândia. ➤ Preservação do local: O antigo “Cemitério do Cólera” teve sua memória preservada através do trabalho de Joaquim de Castro Feitosa (Dr. Feitosinha) e do Padre Maurício Cremaschi, que contribuíram para a valorização histórica do espaço. ➤ Tombamento histórico: A área do antigo “Cemitério do Cólera” foi oficialmente tombada pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural de Tauá no ano de 2006, passando a integrar o Livro de Tombo Histórico do município. ➤ Memorial do Cólera: Em 7 de novembro de 2013, foi inaugurado o Memorial do Cólera, construído pela Prefeitura de Tauá no local onde as vítimas foram sepultadas. Na área externa, quatro cruzes se entrelaçam formando uma só, ao lado de 216 blocos de cimento simbolizando o número de pessoas acometidas fatalmente pela doença. O projeto arquitetônico é de autoria da arquiteta e especialista em restauração arquitetônica e museologia, Lili Sarmiento.
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